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Palavras soltas, fugidias
onde a vontade de escrever toma o controle e a escrita tem vontade própria...

Arquivo: Janeiro 2008

31/01/2008 GMT 1

a bicharada cá de casa

ana-banana @ 16:20

quem me conhece sabe que sou totalmente apanhada pelo meus bichos e que não vivo sem eles.
assim sendo, acho que tem todo o sentido dedicar um post aos meus animais de estimação :D
por ordem de chegada:
A Yorkie é a minha cadela mais velha. é uma yorkshire com 11 aninhos (quase 12), simpática, brincalhona, meiguinha mas muito senhora do seu nariz. no reino animal cá de casa é ela quem dita as leis...
a minha menina está a ficar velhinha, mas ainda tem energia para aguentar um bom bocado a brincar com a Yasha!!

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a Matilde é filha da primeira gata que passou cá por casa (gata essa que deixou muitas saudades quando desapareceu). é esquiva, mas de vez em quando lá se decide a vir para o nosso colo.
A Ninja foi apanhada por mim na berma duma estrada. era só pele, osso e pulgas. nunca pensei que passasse daquela noite, mas não só passou da noite como já cá está em casa há mais de dois anos...

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A Yasha é a minha pónei doida. Foi me oferecida pela minha prima Joana, pouco tempo depois da morte do meu outro cão (Morgan). é uma dogue alemã, tem agora 1 ano e meio e pesa cerca de 60 kg. apesar de ser muito meiguinha sabemos que tem um feitiozinho especial. è a minha monstra má linda:D:D:D

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A Wicca foi a minha primeira experiencia com repteis, a primeira minhoquita a habitar a minha casa: é uma panterophis guttattus okeetee ainda muito novinha. é muito calma e deixa-se pegar sem problemas:D

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A Liana veio pouco tempo depois da Wicca, directamente da loja do Marco para a minha casa, na forma de prenda de natal da prima Joana. ehehehe
é uma lampropeltis triangulum hondurensis tangerina com um feitizinho tramado. eu não tenho problemas com ela porque normalmente ela só morde ao Sam, ehehehehe (ele é que não acha grande piada ás dentadas...).

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O Greyback e a Sia vieram de casa da Isabel Guedes, são duas ratazanas muito simpáticas, e com feitios totalmente opostos!!
A Sia foi mãe ontem, parabens para a minha fancy rat mais linda!! :D

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A Francisca Camões foi a ultima a chegar cá a casa. Inicialmente chamada de Francisco, o que prova a minha falta de conhecimento em relação a esquilos de richardson, tivemos há pouco tempo a prova de que é uma fêmea:D
esta miuda passou por um mau bocado e chegou a minha casa em mau estado... falhas de pêlo, sem um olho, magrinha...e grávida. pois é, nunca pensei que fosse acontecer em minha casa, mas sim, nasceram seis "francisquinhos" muito giros:D
escusado será dizer que estou felicissima, não só por poder dedicar me a um animal que adoro como pelo estatuto de avó que agora tenho!! :D
cã vão as fotos da Francisca e respectiva descendência...

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28/01/2008 GMT 1

pois é...

ana-banana @ 01:35

para quem já aqui passou e me conhece, deve ter reparado que os meus posts foram "transplantados" do outro blog que eu tinha. retirei apenas os posts que achei que tinham mais significado, aqueles que de certa forma fazem parte de um passado recente...

passado... tenho pensado muito nisto! mais especificamente nas pessoas que por qualquer razão ficaram para trás na minha vida. há casos que me entristecem, recordações de pessoas com quem passei excelentes momentos e que agora o contacto entre nós não existe!!

Invariavelmente tenho de falar das pessoas com quem convivi nas Mouriscas, aquela santa terrinha que ficava para lá do sol posto, onde judas perdeu as botas, as meias e tudo aquilo que fosse possivel perder.

e um desses casos chama se Maria Armanda. A Armanda foi uma gaja muito doida, quando a conheci ela estava no 2º ano de turismo, era da turma do Pedro e parecia me uma gaja totalmente esgroviada. No entanto, e ao contrário do que fazia a maior parte da malta da escola (que era ignorar-me) ela vinha ter cmg e ficávamos horas e horas a falar... já nem me lembro se a conheci através do Pedro, ou se conheci o Pedro através dela!

durante os meus anos naquela escola sempre tivemos uma amizade muito forte, apesar de despreocupada. penso que tenha sido das amizades mais saudáveis que alguma vez tive.

O Alex, grande Alex, grande grande maluco!! começou por ser da minha turma, depois mudou de curso e por fim saiu da escola. Durante o ano em que convivemos (seis meses a morar na mesma casa) sempre tive uma grande admiração por ele, principalmente por ser das poucas pessoas que tinha o dom de me dizer aquilo que eu precisava de ouvir (inclusivé criticas) e tb de adivinhar o que eu estava a pensar. Uma pessoa muito especial que não foi feito para viver neste mundo.

O Ruben, uii, o Ruben... que grande panca tive por este puto!! ehehehe
O Ruben entrou para o 1º ano na escola quando eu passei para o terceiro. tal como toda a turma dele, auto proclamou-se meu afilhado (eu era a unica rapariga do terceiro ano, e no 2º não havia rapariga nenhuma!). Sempre tivemos uma grande cumplicidade, um grande "á vontade" um com o outro, sempre nos ajudámos mutuamente (mesmo que a ajuda fosse estar até ás tantas da noite a fazermos as camas dos nossos cavalos). perdi a conta ás vezes em que estivemos na conversa até ás tantas da manhã, perdi a conta ao numero de vezes em que chorei á frente dele, perdi a conta aos minutos e horas que passávamos a rir um com o outro... ainda me lembro das noites que passámos na quinta das malhadas, a cumplicidade que tinhamos um com o outro, de tal maneira que muitas vezes não era preciso falarmos, pois ambos estávamos a pensar a mesma coisa!

O Pedro, uma das pessoas mais especiais que apareceu na minha vida, felizmente continuo a ter contacto com ele e sempre que podemos encontramo-nos para pôr a conversa em dia...
É sem duvida um dos meus melhores amigos, sensivel, preocupado e muito muito querido :D Adoro te amiguinho;-)

Houve pessoas que tb foram especiais para mim, mas sem duvida que estes foram aqueles que me marcaram mais, na minha passagem pelas Mouriscas...

25/01/2008 GMT 1

Carta aberta a um cavalo...

ana-banana @ 20:50

apetece-me escrever qualquer coisa, uma carta de despedida, um texto onda possa dizer o quanto te adoro e as saudades que tenho de ti... voltarei a ver-te? voltarei a encostar a cabeça ao teu pescoço e abraçar-te como se abraça um amigo?

não sei, mas algo me diz que não...

há imagens, cenas que me tenho vindo a lembrar de toda a nossa história juntas, desde o primeiro dia em que nos encontrámos e trocámos um olhar cheio de dúvidas! lembras-te desse dia? quando cheguei á tua baia torci o nariz, eras tão feia!! magrinha, ossos do flanco espetados, garupa descaida, pescoço fininho.... mas depois levantaste a cabeça e olhaste para trás, e aí apaixonei me pelo par de olhos que me olhavam com ar desconfiado!!

disse logo que ficava ctg, já não podia pensar em ser dona ou procurar outro cavalo!

passados dois dias foste-me entregue na escola. tinhas uma feridinha de nada no pescoço (provavelmente do transporte) mas que foi tratada com todo o cuidado. Tinha reservado essa tarde para te instalar numa boxe com metro e meio de aparas e quase um fardo de palha. passei horas contigo, a olhar-te, a fazer te festas, a passear ctg á mão, sem acreditar que finalmente tinha um cavalo meu, uma égua que eu sabia que ia ser fantástica!!

o tempo passou, começámos a evoluir juntas, lembras te dessa altura? aula sim, aula sim mandavas-me ao chão. saías ás cangocha pelo picadeiro fora e lá ia eu direita ao chão!!

assustavas-te com tudo... quer fosse uma pessoa que se mexesse mais depressa, quer fosse um passarinho que levantasse voo á tua frente, quer fosse uma folha de papel ou um saco de plástico a esvoaçar empurrado pelo vento! Mas o teu maior pavor eram os camiões, pavor esse que nunca superaste. tremias que nem varas verdes quando vias um camião ao longe, recusavas te a aproximar deles mesmo que estivessem desligados. uma dessas vezes saiste comigo á carga pelo meio do campo e fomos as duas parar dentro de água!!

mas mais importante que estarmos a evoluir (tu estavas mais musculada, mais bonita, mais bem tratada, mais obediente e eu estava com mais confiança a montar-te, a minha posição a cavalo estava muito melhor, estava muito mais segura. sentia-me tão á vontade a montar-te como se tivesse os dois pés pousados no chão!), era a nossa relação de amizade! eu passava horas ao pé de ti, sentada num fardo de palha á frente da tua boxe, a dar te bocadinhos de cenoura. quando me distraia tu saías da boxe e ias comer erva, mas bastava eu chamar te e tu voltavas!! acima de tudo éramos amigas, se é que uma pessoa e um cavalo podem ter uma relação á qual chamam amizade. eu sei que sim!

o tempo passou, se tinha havido no nosso passado uma altura em que nos chegámos a detestar, essa altura tinha passado. agora eu chegava á escola, abria a janela e dizia-te bom dia! tu respondias-me com uma sacudidela da cauda e continuavas a comer a tua ração. só me davas atenção quando cheiravas a maçã que eu trazia no bolso. então eu abria a porta da boxe e tu davas-me focinhadas, cheiravas os meus bolsos á procura da guloseima da manhã. quando descobrias em que bolso estava começavas a mordiscar. á pala disso fiquem com buracos em vez de bolsos, em vários casacos!

As aulas de equitação corriam bem, eras um espectáculo a saltar, mas teimosa como uma mula! nunca te perdoei ter chumbado na sela 7 por causa daquela ria enorme. mas até isso me passou.
no exame de auxiliar de monitor tivemos a melhor pontuação na prova de ensino e fizemos uma optima prova de obstáculos, fiquei tão contente que te comprei uma saca grande de cenouras, saca essa que acabaste por partilhar com os cavalos dos meus colegas!

adorava todos os minutos que passava contigo, os passeios que faziamos juntas na herdade, ao entardecer, aquela vez na herdade do zambujeiro onde tivemos que fugir de um boi que desatou a correr atrás de nós, as vezes em que andávamos uma tarde inteira a passear sozinhas ou na companhia dos colegas que estavam a estagiar cmg... que saudades Omega!!

conheciamo-nos tão bem uma á outra. a mim bastava me ver te ao longe que reconhecia-te imediatamente. tu levantavas a cabeça assim que ouvias a minha voz!! acho que não havia relação mais especial que a nossa!

Soube hoje que foste para Espanha, foste comprada por um senhor, para o filho mais novo dele ser teu dono. Será que te vão tratar bem? será que o teu novo dono vai passar horas ao pé de ti como eu fazia? será que vai chorar encostado ao teu pescoço por achar que mais ninguem o compreende como eu costumava fazer? será que vai comprar todos os natais uma saca de cenouras com um grande laço vermelho e oferecer ta, como eu costumava fazer? será que estás bem Omega? será que te lembras de mim, do meu cheiro, da minha voz? ou será que tens na tua cabeça apenas a ideia da próxima refeição?

Que duvida tão parva, obviamente que vais ser bem tratada, o teu charme e beleza não permitem que alguem pense sequer em tratar-te mal!!

Espero voltar a ver-te um dia, e que sejas muito feliz onde estás agora!
vou ter muitas saudades tuas minha linda!

Beijão desta tua ex-dona que nunca vai deixar de te adorar e de pensar em ti!!!

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o desabafo, a escrita...

ana-banana @ 20:48

Desabafos, sabem bem quando são partilhados com um amigo, uma amiga, sabem bem quando são escritos e lidos 5 ou 10 anos depois, sabem bem porque estamos a deitar cá para fora aquilo que sentimos, quer sejam tristezas, alegrias, mágoas, ansiedades, frustrações, raivas...

podemos desabafar em qualquer lado, num café, numa paragem de autocarro, numa praia, numa casa de banho de um qualquer bar perdido por aí!

De há uns tempos para cá tenho vindo a descobrir no meio da tralha do meu quarto (de cada vez que o arrumo encontro coisas novas) desabafos antigos, alguns deles relativos a relações que tive, a coisas que passei com esta ou aquela pessoa, sitios que visitei, e as recordações parece que teimam em fazer me lembrar de mais coisas (que não estão escritas mas que a minha mente não esqueceu!). Como aquela folha em que comecei a falar sobre a minha ida ao festival do ermal (eheheheh), ou outro “desabafo” inacabado escrito na cozinha de casa de um amigo meu, numa noite em que não conseguia dormir (maldita casa!!) e me sentei de madrugada na mesa da cozinha, a escrever, apenas iluminada pela luz que começava a surgir timidamente...

ou ainda cadernos e folhas perdidas que escrevi quando estava a trabalhar na covilhã, e passava boa parte da noite na rua, na conversa com a malta que tinha conhecido entretanto, tardes de calor que passava na minha casa fresquinha, deitada na cama (enquanto esperava que começasse a abrandar o calor para poder ir montar os cavalos que tinha que trabalhar) a ouvir musica e a escrever...

escrever, escrever, escrever.... a minha vida está cheia disso. Escrevi composições na primária, ditados, cópias, já ni ciclo escrevia pequenos contos e comecei a gostar de escrever poemas (ainda antes de ter daquilo que estava a escrever), um conto e um poema meu ganharam um concurso a nivel de escola e foram publicados no jornal escolar!

Se estou num sitio que gosto, e não tenho companhia, tenho que ter sempre o caderno e a caneta por perto... gosto de escrever sobre o sitio onde estou, sobre as pessoas que estou a ver, sobre algo que me intriga!

Há tempos escrevi sobre uma situação que tive oportunidade de ver. Em pleno Junho, aqui a je estava em Belém (todo o dia, graças aos cursos), e naquele sábado até tinha levado a minha maior amiga (a Yasha). Depois de comer algo no café fui dar uma volta até ao jardim que fica em frente ao C.C.B.. sentada na relva, com a cadela deitada ao meu lado, e eu armada com um caderno e uma caneta mortiferos, comecei por ouvir berros, mas sem perceber de onde vinham. Comecei a olhar com mais atenção e vi uma rapariga, que devia ter á volta de 30 anos, ajoelhada no chão a berrar histericamente. A primeira coisa que me passou pela cabeça foi que tivesse caido e se tivesse magoado. Mas quando a vi levantar se, desatar a correr á volta do jardim e continuar a berrar histericamente, até que a dada altura desapareceu de vez (ainda ouvi os berros por uns segundos...). Quando deixei de franzir o sobrolho, devido á estranheza da situação, consegui esboçar um sorriso (fiquei mesmo contente por ter algo de diferente para escrever!):p

Os meus livros, já comecei dois, um dia hei de acabá-los...

uma coisa que adoro fazer quando vou, por ex., de comboio, é escrever sobre as pessoas que estão ao alcance da minha visão, e dp aproveitar essa escrita para criar personagens para os meus livros. Ok, não é de todo original, mas resulta. Personagens nunca faltam!

e pronto, é tudo por agora!

ciao.

Sinais de um passado recente

ana-banana @ 20:46

Andava eu contente da vida a arrumar o quarto (se for por minha iniciativa até nem me importo de o arrumar, mas se for a minha mãe a mandar-me arrumá-lo a história já é diferente).

qual não é o meu espanto quando puxo de uma caixa (que já nem me lembrava que existia) e fico perante carradas de folhas, guardanapos de café, post it... todos rabiscados por mim e colegas que estudaram comigo nas Mouriscas. juro que me vieram as lágrimas aos olhos ao relembrar aquilo, ao olhar para cada papel e saber quem escreveu aquilo e até onde foi escrito!

sim, foram três anos muitíssimo preenchidos. três anos onde arranjei amigos, inimigos, relações e zangas!!

Acima de tudo foram três anos que me fizeram crescer, que me tornaram responsável e me prepararam de uma maneira especial para o mundo cá fora.

há pessoas que recordo ainda, de uma maneira muito especial. O nosso grupo especial (eu, Hugo, o Pedro e o Alex), a Diana (apesar daquilo que nos afastou...), a tonta da Maria Armanda, o Ruben... estes foram os que mais me marcaram.

a minha turma, que me faziam a vida negra!! não esqueci ninguem e um dia havemos de estar todos juntos de novo!!!

Voltando ao quarto por arrumar... pois é, aquilo já estava a ficar caótico. depois de tirar tudo do chão e varrer vai-me dar um gozo arrumar as minhas pequenas tralhas. os potes de tinta para tecido, as anilinas para tingir, as missangas, as linhas e lãs para fazer tererés, os alfinetes, os fechos para os fios de missangas, a minha colecção de guizos, etc...

a prateleira dos livros tb já está arrumada. É sem duvida a primeira coisa que arrumo quando estou a arrumar o quarto...

beeeeeem, lá vou eu de novo...

ciao***

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